Como toda a população mundial, já estávamos aflitos por uma viagem, mas o trabalho do meu marido não autorizava a saída nunca e para não criar muitas expectativas, preferi não pesquisar destinos, ver reservas, onde ficar. Eis que o sistema aprovou numa segunda-feira a tarde que ele saísse por uma semana começando na outra segunda. Tínhamos um casal de amigos rodando meio sem destino e decidimos nos juntar numa aventura, mas – naquela vontade de querer fazer tudo na mesma viagem – paramos passar o final de semana com outra família de amigos que estava em outro Estado. Saímos na sexta-feira à noite num vôo Miami – Denver, no Colorado. Chegamos direto para dormir, era tão tarde que até o carro que alugamos só conseguimos pegar no dia seguinte. Camionete em mãos, passamos numa loja de aluguel de coisas de acampar e pegamos tudo: barraca, cadeiras, fogão portátil, panelas, sacos de dormir, roupa de cama, toalhas e colchões infláveis. Dirigimos direto até Aspen numa estrada de pouco mais de 3 horas que já valeu a viagem. A paisagem foi tãããooo maravilhosa que fica aqui a primeira dica: pegue a estrada entitulada de independence pass.

Ficamos hospedados em Snowmass, cidadezinha grudada em Aspen. A distância entre uma e outra é de 20 minutos, ou seja, parecem bairros da mesma cidade. Fomos num parque aqui, almoçamos ali e os programas se misturavam como se realmente fosse uma coisa só, o que significa que não importa se ficará hospedado num ou em outro lugar.
Pontos chaves Aspen-Snowmass: os skate parks tanto de Aspen quanto de Snowmass; as ruazinhas em volta de ambas gôndolas principais; Snowmass village (no verão de manhã tem yoga no gramado e à noite vira uma quadra de futebol, cheia de luzinhas e fogueiras para fazer os famosos s´mores – bolachinha com chocolate e marshmellow derretido – e, no inverno, esta área vira uma pista de esqui no gelo, mantendo a tradição de queimar marshmellows no palito); e subir as montanhas de gôndola para as atividades da estação: escalada, mountian bike, montanha russa no meio da floresta, restaurantes ao ar livre no verão e ski e mais ski no inverno. Tem ainda inúmeras trilhas de hike e bike em que todas valem a pena, com destaque para a Aspen´s grottos trail (dê um google imagens e verá porquê).
- Subimos a gôndola ao lado do Snowmass village, onde tinha estas inúmeras atividades infantis ao ar livre. Foi DEMAIS!
Os três dias passaram voando e a vontade de morar ali para sempre era enorme, mas a aventura estava apenas começando. A ideia era subir de motor-home, mas como decidimos ir em cima da hora não conseguimos lugar nos campings para reservar e conseguir estacionar o RV. Mas não dá para simplesmente parar em qualquer lugar já que ele é um “carro-casa”? Sim, é possível. Porém, se você para na rua, não tem conexão com esgoto, água, eletricidade e ao longo dos dias não abastecer ou liberar as caixas pode ser um problema.

Como as crianças estavam ansiosas demais pelo motorhome que não rolou, decidimos acampar REAL. Eu havia feito isso algumas vezes, mas ou criança ou solteira. Nunca mais. Confesso que foi surpreendente, mas também confesso que durmo em pé, sentada, encostada numa parede... Dirigimos 12 horas, atravessando os Estado do Colorado, Wyoming, Utah, até chegar em Montana no trecho do parque nacional de Yellowstone – o famoso parque do Zé Colméia.
Mais uma vez a estrada passou como um passe de mágica. Paisagem MARAVILHOSA e sem nem uma alma viva no caminho. Foram quatro noites de acampamento – nos hospedamos num camping com uma certa estrutura: banheiro coletivo com banho quente, máquinas de lavra e secar roupa, churrasqueiras por espaço de barraca, mesa e bancos de madeira individuais e parque durante o dia.
O parque é GIGANTESCO e a cada dia a sensação de que não estávamos no mesmo lugar de tão diferente as paisagens e cenários. Tudo é muito longe. Mesmo num camping do parque, dirigíamos mais de uma hora para chegar no primeiro lugar, dirigindo as vezes mais uma hora entre uma cachoeira e outra. A vantagem é que tudo é lindo e facilmente você se distrai, ainda podendo ser surpeendido no caminho por um congestionamento, que já no primeiro dia você entende que a regra é clara: enfileirou os carros, aparecem gente largando a direção no meio da pista para sair correndo: é urso!! Isso aconteceu duas vezes e te garanto que o medo passa, é muita emoção!
Pontos chaves Yellowstone: Old faithful geyser; Grand canyon of the Yellowstone; Hayden Valley; Mammoth hot springs; Yellowstone lake; Lamar Valley; Tower fall; Lewis fall; West Thumb Geyser Basin; Mud volcano; Artist point; Uncle Tom´s trail; Inspiration Point; Norris Geyser Basin. ** fomos no verão, época dos geysers.




Percorrendo por dentro do próprio parque começamos a descer e entramos no Grand Teton National no parque no Estado de Wyoming. Decidimos encarar um acampamento de verdade e armamos a barraca na floresta aberta, ao lado de um rio, onde tomamos banho e lavamos as louças. Fora os avisos para ter cuidado com ursos não deixando nada com cheiro exposto e a geada da madrugada, foi divertido – apenas por uma noite rss – a sensação real de um acampamento. Eu, particularmente, estava tão animada que estava indo para o Yellowstone que ignorei qualquer pesquia sobre este segundo parque. Meu Deussss!! Não façam isso, correndo o risco de ignorá-lo! É lindo de morrer, inclusive mais que o outro! Com montanhas tão altas que mantém os picos com neve mesmo no verão, seus lagos de águas glaciais tem um tom de verde que varia entre o transparente e o escuro tão chocante que você entra sem (quase) nem sentir o frio. As crianças aguentaram as trilhas, mergulharam no rio e nos lagos, esclaram montanhas, vimos renas, lobos, buffalos, cavalos impecáveis. Uma experiência tão linda e tão completa que ficará marcada para sempre. O problema deste tipo de viagem é que que vicia e no caminho de volta você já começa a pensar na próxima aventura.
Pontos chaves Grand Teton: Jenny lake (pegamos um barquinho até o pé do Grand Teton e subimos a trilha até um ponto acima do inspiration point, na volta voltamos a pé ao invés de voltar de barco, beirando todo o lago até chegar no estacionamento de novo); Cutler Bay at Jackson Lake e Signal Mountain Summit.


Dicas acampamento: - Organize o cardápio de todas as refeições e faça as compras de forma pensada e organizada para aproveitar ingredientes, além de não faltar nada e não perder tempo durante a viagem. Isso inclui pensar em todos os snacks para carregar na bolsa e comer durante o dia. - Leve papel aluminio ou embalagens para levar sanduíches, frutas e outros snacks mais saudáveis na mochila. - Organize as comidas e bebidas em coolers e/pu isopores por ordem: bebidas, frutas, carnes, frios. Assim como caixa de pães, snacks, utensílios... quanto mais organização no acampamento, mais fácil será. - Tenha sempre uma garrafa de 5L de água extra para o caso de precisar lavar alguma coisa.

- Mesmo que tenha saco de dormir leve travesseiro, um cobertor e até roupa de cama para deixar mais aconchegante. - Se tiver como comprar e carregar, opte por colchao normal (que dê para enrolar e prender amarrado) do que os infláveis - Tenha uma lona para forrar o “piso” e não deixar a barraca encostada direto no chão e com isso afastar a umidade. - Todas aquelas bugigangas de acampamento são realmente necessárias: lanterna para cada um (aquelas de prender na testa tipo escavador são muuuito boas), repelente, faca, tesoura e canivete, toalha de pic nic, cadeira, fogão portátil (não esquecça do gás), garrafinha de água térmica, caneca de café térmica, palito para o marshmellow e roupa de frio mesmo no verão. - Crocs ou sapatos do tipo para as crianças facilita para ficar entrando e saindo da barraca.
Hospedagem e roteiro: Também sou co-founder da agência de curadoria de estadias Tailor Made Stay (@tailormadestay).
Se você amou o roteiro e o destino, mas quer pular o acampamento, entre em contato para ver as opções incríveis de hospedagem!
By Nati