#tklpergunta: Como identificar e como tratar a psoríase infantil?
2020-11-29
Sabia que a psoríase atinge mais de 125 milhões de pessoas no mundo todo, sendo mais de 5 milhões de brasileiros? Apesar de ser uma doença pouco comum na infância, corresponde a cerca de 4% de todas as dermatoses observadas em doentes menores de 16 anos e a @drajulyannadermato explica um pouco e responde nossas dúvidas sobre o assunto.
"A apresentação mais comum na primeira infância se caracteriza pelo surgimento de lesões avermelhadas, descamativas bem delimitadas envolvendo a genitália, região glútea e peri-umbilical. Com o passar do tempo, novas lesões tendem a surgir, acometendo principalmente o tronco e os membros. Variantes da psoríase de início na infância incluem aquelas de acometimento periungueal (ao redor das unhas) com graus variáveis de onicodistrofia (deformidade das unhas), bem como formas restritas ao couro cabeludo. O tratamento dependerá basicamente da gravidade de quadro, da associação com quadro articular, de eventuais comorbidades, da idade do doente, de terapêuticas prévias e eventos adversos ocorridos”.
De acordo com a dermatologista, os primeiros sinais da psoríase pode ser o surgimento de lesões avermelhadas únicas ou pouco numerosas e ligeiramente descamativas, acometendo áreas como a face, mãos, pés, genitália e região periumbilical. "O acometimento do couro cabeludo, com a presença de escamas brancas, aderentes e espessas ao redor dos fios com leve vermelhidão é bastante típico. Porém em alguns casos pode ser indistinguível da dermatite seborréica do couro cabeludo. Localização característica em crianças é o acometimento na área das fraldas que ocorre em crianças com até dois anos de idade”, descreve. "Por se tratar de uma doença multifatorial, ou seja, com vários fatores predisponentes e agravantes, não há como prevenir o seu surgimento, embora seja possível controlar a reincidência. Estima-se que entre 25-45% dos casos de psoríase possam iniciar seu curso antes dos 16 anos de idade e destes, em cerca de 2% dos casos antes dos 2 anos de vida”.
Sobre o tratamento, a especialista explica que o objetivo é o controle da enfermidade e a melhora da qualidade de vida do doente. "Para se determinar o melhor esquema terapêutico, deve-se sempre ter a confirmação do diagnóstico atraves da avaliação do médico dermatologista. É preciso considerar o sexo, idade, quadro clínico, gravidade da doença, sinais e sintomas associados, comorbidades, medicações concomitantes, tratamentos prévios, efeitos adversos ocorridos e a participação dos pais ou responsáveis no tratamento. Casos leves e moderados (cerca de 80%) podem ser controlados com o uso de medicação local (cremes e pomadas), hidratação da pele e exposição controlada e sob orientação do especialista ao sol. Fototerapia com luz ultravioleta (UVA) e medicamentos por via oral só são introduzidos nos casos mais graves de psoríase refratária a outros tratamentos”.
Quer saber mais? Confira a seguir dicas da Dra Julyanna do Valle Lima para a melhora dos sintomas de psoríase na infância:
1_Hidrate muito bem a pele da criança e evite o uso de abrasivos como buchas e água muito quente durante o banho. Isso evita o ressecamento excessivo da pele, o que favorece a possibilidade de desenvolver lesões.
2_Procure oferecer hábitos de vida saudáveis à criança, pois infecções e estresse são importantes fatores desencadeantes da doença nessa faixa etária (estimule a prática de atividades físicas, alimentação balanceada).
3_Não evite o convívio social e os momentos de lazer por causa das lesões. Psoríase não é contagiosa e, se a criança se afastar de tudo e de todos, pode comprometer seu estado emocional e aumentar o problema. Muitas vezes se faz importante o acompanhamento conjunto com o psicólogo para ajudar a criança a entender melhor sua doença e lidar com o preconceito.
4_Faça visitas regulares ao dermatologista e siga à risca suas orientações. Isso o ajudará a controlar as crises.